Quer aprender? Solucione!

Quer aprender? Solucione!

Primeiro, pense: aprender o quê e por quê

Dificuldade em estudar um assunto ou matéria? Talvez a solução esteja em como você aborda o conteúdo que vai usar no seu estudo.

Mudança de eixo

Propomos aqui uma reflexão: em vez de começar o estudo pela sequência tradicional do conteúdo, liberte-se.

Comece por uma necessidade, como simplesmente sua curiosidade.

Antes de aprender qualquer coisa, é preciso saber por que aprendê-lo. Uma necessidade é o que prepara a mente para buscar informação.

Quanto mais clara é a necessidade, mais fácil é organizar e reter o que se aprende.

Se você lê o capítulo 1, mas seu cérebro não se importa com o capítulo 1 ainda, ao ler o capítulo 2, o capítulo 1 já foi esquecido.

Quando uma leitura não se justifica, a informação tende a passar despercebida. Ela entra, mas não encontra motivo para ficar.

É como colocar dados em um baú sem fundo: você abre a tampa, joga conteúdo lá dentro, fecha a tampa e a informação cai no esquecimento. Aprender não é seguir ordem, é construir sentido.

Afinal, seu cérebro se importa mesmo é com problemas.

Problemas são a engrenagem do aprendizado

Antes de ler os capítulos de um livro, entenda do que se trata cada um e defina motivos para lê-los. Se não encontrar um motivo, crie.

Pergunte-se: o que isso soma ao meu conhecimento sobre este assunto?

Formule perguntas. Estabeleça desafios. Invente gargalos. Subverta a ordem padrão. Encontre inspirações.

Aprender começa quando algo precisa ser resolvido e talvez você prefira ler o capítulo 5 antes do capítulo 1 para mudar perspectivas, ligar informações de formas diferentes ou simplesmente porque ele é o mais interessante para você.

Aliás, neste exemplo, você provavelmente vai ler o capítulo 5 de novo, depois de passar pelos anteriores. Só que com um novo olhar e novas questões.

Sem um problema associado, o cérebro não tem razão para guardar uma nova informação.

E ele é eficaz em descartar o que não lhe parece útil.

Absorva apenas o necessário, depois reformule, aplique e só então expanda

Este processo se baseia em uma liberdade exploratória que precisa ser direcionada para que não se perca o foco. Defina parâmetros para o que você busca.

Se o objetivo é entender as proporções entre os planetas do sistema solar, foque estes dados apenas.

Não se empenhe em outros detalhes.

Use seu tempo e energia para conferir números sobre os diâmetros dos planetas com atenção em duas ou três fontes confiáveis e logo em seguida fazer uma busca por imagens que representem estas proporções.

Com apenas os números relativos ao tamanho dos planetas em mente, fica mais fácil comparar intuitivamente imagens que os representem.

E essa comparação já é uma forma de fixar conhecimento, porque é um problema para o seu cérebro resolver.

O esforço cognitivo deve estar direcionado ao objetivo, não disperso entre detalhes secundários.

Conhecimento reutilizável

Quando um problema é resolvido, o conhecimento se torna mais denso, aplicável e baseado em princípios.

Imagine que após perceber que Júpiter é o maior planeta e Mercúrio é o menor, você se desafie a lembrar de duas frutas com semelhante diferença de tamanho.

Seu cérebro logo associa a Júpiter a uma fruta considerada grande, a melancia, e abraça o problema de encontrar outra bem menor.

Como você só conferiu números sobre diâmetros, ignorando dados redundantes, fica mais fácil visualizar uma fruta com diâmetro aproximadamente 20 vezes menor que o da melancia.

E seu cérebro se lembra da uva para Mercúrio. Problema resolvido, proporção entre Júpiter e Mercúrio reforçada como informação relevante.

Esse exercício envolveu identificação de padrões, associação e imaginação para responder à simples questão sobre qual fruta corresponde a qual planeta.

E mais associações darão ao cérebro mais motivos para guardar esta informação. 

Ou melhor, estrutura. Porque, neste ponto, já podemos falar em como uma informação se tornou parte de uma estrutura de conhecimento.

Depois de comparar números e associar planetas a frutas, o cérebro passa a usar estas informações como princípios em outros contextos.

Quanto mais recente o uso da estrutura, mais irresistível é para a sua mente aplicar a estrutura a novos grupos de itens.

Se na semana passada você buscou associar frutas a planetas, hoje, ao entrar em uma padaria, um bolo pode lembrar Júpiter e uma balinha pode lembrar Mercúrio. E a estrutura é reforçada mais uma vez.

Isso não é memorização de fatos. É construção de uma rede de padrões em que diferentes círculos são mentalmente preenchidos por diferentes itens de uma categoria de entes circulares.

Seu cérebro criou estruturas mentais que se fortalecerão por associação, pelo menos enquanto seu olhar for atraído por grupos de itens circulares, uma tendência que deve se concentrar no momento da sua vida em que o estudo dos planetas é importante.

Depois, quando outros assuntos se tornarem mais importantes do que os planetas, esta estrutura será menos acionada.

Ela tende a dar lugar a novas estruturas, mais relevantes para novos estudos e momentos da sua vida.

Codificação e recuperação

Codificação acontece quando você sintetiza.
Você consome informação e extrai um princípio geral.
Não armazena detalhes soltos: você cria conexões.

Recuperação acontece quando você reutiliza o conhecimento sem consultar fontes externas, resolvendo problemas reais, em tempo real.

Conhecimento que se acumula é o conhecimento que entra em ação. E a cada uso, mais forte fica o conhecimento.

Um ciclo simples de aprendizagem

1 — Resuma uma informação com suas palavras.

Exemplo:
Após ler sobre as dimensões dos planetas, sintetize informações como:

Planetas rochosos são muito menores que planetas gasosos.

2 — Identifique ou crie problemas para estas informações.

Exemplo:
Qual é a maior diferença de tamanho entre eles?

3 — Encontre a resposta e a consolide através de padrões. Ignore detalhes secundários.

Exemplo:
Júpiter é o maior. Mercúrio é o menor. Se fossem frutas, Júpiter seria mais ou menos como uma melancia enquanto Mercúrio seria mais ou menos como uma uva.

4 — Construa mentalmente uma estrutura com estes padrões.

Exemplo: Júpiter é o maior círculo e Mercúrio é o menor.

5 — Use imediatamente esta estrutura, mesmo sem precisão.

Exemplo:
Associar na hora cada planeta a uma fruta, baseando-se na percepção geral dos diâmetros das frutas, mesmo que de forma imprecisa.

6 — Observe, ajuste, tente novamente.

Refletir sobre a adequação de cada associação. Redefinir associações se outras frutas parecerem mais adequadas. 

É pela elaboração e pelo uso contínuo de estruturas que o aprendizado se consolida.

Se esse modo de pensar a aprendizagem faz sentido para você, vale observar como você estuda, planeja ou consome informação no dia a dia.

Que problemas estão orientando sua atenção?

Já pensou em que estruturas você usa no dia a dia, mesmo sem se dar conta?

2 comments

muito legal isso aqui
eu meio que sempre fiz isso pra decorar alguma coisa

Rodrigo

Isso faz muito sentido para mim

Clara

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